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Textos

A vingança da bruxa.

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     Eu, Jean Du Pontiah, Bispo da Santa Madre Igreja, sob os desígnios de Deus e tendo por testemunha o Duque Michel D'Lorrant, condeno você Christine Bovoir pela prática de bruxaria a queimar na fogueira até a morte. A bruxa tem algo a dizer?
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     Estou sendo condenada por não me ter deitado com nenhum destes dois porcos. - diz a jovem olhando para as pessoas ao redor da pira que logo será acesa. Nunca pratiquei bruxaria em minha vida, mas eu voltarei e me vingarei. Seus imundos.
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     Que a bruxa seja amordaçada novamente e que a pira seja acesa. - ordena o Bispo olhando de soslaio para o duque e escondendo um pequeno sorriso de satisfação.
     A pira é acesa e logo o fogo envolve a mulher. A plateia reunida para assistir a execução que antes não escondi o frenesi de satisfação em ver mais uma mulher queimada na fogueira passa a murmurar de espanto ao ver que mesmo engolfada pelas chamas a mulher se mantém ereta e sem emitir um grito sequer. Apenas uma velha senhora presente ali pressente o que está acontecendo com a mulher em chamas.
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     Parabéns homens de Deus, vocês acabaram de criar mais um servo do demônio. - murmura a velha senhora dando as costas ao espetáculo funesto e sumindo floresta adentro.
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-      Relaxe senhor Duque. Você está sob a proteção da igreja. A meretriz está morta.
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     Você também estava lá bispo. Ela não gritou em momento algum. E quando o fogo apagou nem as cinzas de seus ossos estavam lá. Ela, ela era mesmo uma bruxa.
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     Bobagem Michel. Aquela meretiz não era bruxa coisa nenhuma. Era uma alma sem eira nem beira que deveria ter-se deitado comigo. Negar-se a você, um nobre é um pecado, mas negar-se a mim, um bispo, é um sacrilégio. Ela devia ser punida com a morte, como foi.
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     Você fala disso como se fosse fácil.
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     Arrependido Michel? Você foi o primeiro a querer que eu a condenasse. Esqueça isso. Nossa cidade possui belas jovens e depois da execução de hoje duvido que alguma se negue a dormir com o Duque ou com o Bispo. Vamos homem, anime-se. Tenho certeza que seus vassalos já trouxeram algumas coisas deliciosas para comermos e bela mulheres para deflorarmos. - o bispo solta uma gargalhada e deixa a biblioteca do duque.
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     Três anos depois, o Duque Michel e o Bispo Jean, cada vez mais poderosos nas cidades ao sul da França, mais uma vez se deleitam em uma festa de orgia e depravação oferecida pelo duque aos nobres mais importantes de seus arredores. Como sempre seus vassalos se encarregaram de “convidar” as mulheres mais bonitas das redondezas, desde meninas com quinze anos recém completos até mulheres casadas cujos maridos não puderam fazer nada. Afinal como diz o Bispo, homens mortos não precisam de mulheres.
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     Senhor Duque, o senhor se superou mais uma vez. Cada mulher que o senhor trouxe valeria seu peso em ouro em qualquer bordel.
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      Pois aproveite Conde Martin, são todas para nosso deleite.
     Às gargalhadas o duque se afasta indo ter com o Bispo, que não percebe sua chegada por ter sua atenção focada em uma jovem do outro lado do salão.
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     Apaixonou-se Bispo?
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     Não diga uma heresia destas. - diz o bispo beijando a cruz pendurada em seu peito. Você sabe que sou um homem de Deus.
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     Um homem de Deus que adora o prazer da carne.
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     Eu não adoro o prazer da carne duque, apenas não consigo resistir à tentação de Satã às vezes.
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     Uma vez por mês eu diria, não bispo? Ou anda fornicando fora de minhas festas?
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     Eu poderia excomungá-lo agora Michel. E vou. Se você não me disser quem é aquela beldade.
     Pela primeira vez o Duque observa a mulher. Linda. Loira, olhos azuis, corpo muito bem torneado tendo um lindo equilíbrio entre seios, quadril e bumbum. Uma mulher estonteante e voluptuosa. O queixo do duque cai.
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     Eu ainda não sei, mas irei descobrir e ela será minha.
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     Negativo, Michel. Hoje ela será da igreja.
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     Mas nem que você excomungasse até a minha quinta geração.
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     Não me provoque, duque.
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     Com licença senhores? - diz a mulher aproximando-se dos dois homens que calam a boca e a fitam com um deleito extremo em seu olhar. Os senhores devem ser o Duque Michel D'Lorrant e o Bispo Jean Du Pontiah. Não é?
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     Nomes não são importantes.
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     Perdoem-me a curiosidade, mas percebendo a natureza desta festa eu pensei em ter a companhia dos dois homens mais poderosos dela. Talvez até os dois mais viris.
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     Os dois? - dizem ambos olhando-se com malícia.
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     Sim, meus senhores. Os dois. De onde venho as festas devem ser aproveitadas ao máximo e com todo requinte possível.
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     E de onde você vem?
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     De longe muito longe. Mas mesmo a tanta distância eu ouvi falar das festas do Senhor Duque e resolvi matar minha curiosidade.
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     Hum. Porque não vamos até minha biblioteca? O que me diz, caro Bispo?
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     Não podemos desapontar a jovem, não é duque? Deus não aprova que eu deixe de dar caminho a meu rebanho.
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     Concordo plenamente com o senhor Bispo.
     Os três seguem para a biblioteca do castelo e mesmo antes que a porta seja trancada a jovem loura se lança ao bispo levantando-lhe as roupas e segurando suas partes intimas. O duque arregala seu olhos para a cena e a mulher lhe acena que se aproxime, soltando a parte de cima de seu vestido e permitindo que o duque tenha acesso a seus belos seios. A orgia entre os três se inicia de forma sensual e selvagem. Soltando gritos como uma gata no cio a mulher vai enlouquecendo os dois homens que se revezam em suas posições.
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     Estão gostando senhores?
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     Claro que sim. - diz o Bispo colocando-a de quatro. E você vai gostar ainda mais. Qual seu nome para que lhe perdoe os pecados minha filha?
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     Christine Bovoir, Bispo.
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     Hein? - diz o bispo sentindo as pernas cederem.
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     O que você disse? - pergunta incrédulo o duque.
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     Eu disse Christine Bovoir.
     Antes que o duque ou o bispo possam se recuperar do choque as janelas se fecham e um vento apaga todas as velas na sala à exceção de uma. Duas silhuetas surgem da escuridão e assomam aos dois homens segurando-lhes.
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     Coloquem os dois sobre a mesa.
     Seguindo a ordem os dois demônios colocam o bispo e o duque sobre a mesa escrivaninha do duque.
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     Eu disse que me vingaria, não disse? Chegou a hora.
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     Então você sempre foi uma bruxa, sua meretriz.
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     Não bispo. Vocês fizeram de mim uma bruxa. Meu Senhor surgiu perante mim no momento em que as chamas me engoliram e me ofereceu a chance da vingança.
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     Seu Senhor? Você quer dizer o demônio?
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     Demônio por demônio você também é um, bispo, mas sim foi ele quem me ajudou. E agora chegou sua hora. Vamos começar.
     Sinalizando para os demônios, Christine se aproxima do bispo com uma adaga em sua mão, puxa a língua do homem para fora e com um corte rápido a decepa repetindo o mesmo feito com o duque.
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     A partir de hoje não mais falarão, para nunca mais condenar ninguém falsamente. - Gritos engrolados saem da boca dos dois homens juntamente com sangue.
     A jovem bruxa continua com seu trabalho e agora risca runas nos corpo dos dois homens preparando-os em seu ritual satânico.
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     Vocês irão me servir como demônios inferiores seus imundos. Estas runas garantirão que vocês serão meus para sempre. Minha vingança não será consumada com sua morte, mas sim com sua vida. Você me acompanharão enquanto eu viver. E quando eu morrer definharão e suas almas irão para as profundezas do inferno.
     O terror estampado no olhar dos dois denuncia que suas palavras foram entendidas. Lágrimas brotam dos olhos do bispo e ele lhe dirige um olhar de súplica.
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     Meio tarde para pedir perdão, não padre?
     Prosseguindo com o ritual a mulher sinaliza para que os demônios retirem a parte da baixo da roupa dos dois homens. Eles se contorcem mais e mais, cada vez com mais medo. Sua voz se torna um ronronar melodioso.
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     Chegou a hora de terminar o ritual. Assim que tudo acabar aqui minha vingança realmente estará começando e vocês irão sofrer e me servir enquanto eu viver. Você nem imaginam qual o ato final deste feitiço, não é? - ela solta uma gargalhada. Sabem o que é um eunuco senhores? Pois é. É este o ápice deste ritual.
 
Léo Rodrigues
Enviado por Léo Rodrigues em 03/12/2015
Alterado em 03/12/2015
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